Diagnóstico de Demanda Shiva
S&OP · Fase 1 · Diagnóstico de demanda

O risco não está onde a carteira mostra

Vinte e quatro meses de vendas, a posição de estoque e a carteira em aberto, com os SKUs de embalagem múltipla já consolidados. Quatro conclusões — e uma delas corrige o que este mesmo relatório afirmava antes.

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Atualizado em 12/09/2026, 16h06
Sumário

Quatro números para abrir a reunião

Achado 1 · Risco de ruptura

A classe A está sistematicamente descoberta

Cobertura de estoque da classe A

Uma semana ou menos — reposição imediata Cobertura adequada ou folgada
ProdutoMédia/mêsEstoque CoberturaFaltaR$/mês
exposto
TendênciaSituação
Premissa que precisa ser validada

Ausência no inventário não é estoque zero

O único item da classe A nessa condição era a Luva Esgoto Dupla 250 MM (código 7608), e o caso foi conferido no M8: o saldo era zero mesmo. Ela aparece na tabela acima como ruptura confirmada. O cadastro antigo do mesmo produto — código 391, "utilizar cód 7608" — ainda carrega uma peça no inventário, resíduo da substituição.

Vale a proporção, porém: é o menor item da faixa, com R$ 14 mil por mês e 0,38% do faturamento próprio, e apenas R$ 8,4 mil de carteira em aberto espalhados por 18 clientes pequenos. Está na classe A pelo corte acumulado, não por peso próprio. É ruptura real, mas não é a primeira da fila — e foi por confundir as duas coisas que a versão anterior deste relatório o destacou acima de itens trinta vezes maiores.

Achado 2 · Correção de premissa

A sazonalidade que eu previa não existe nos dados

O padrão clássico da construção civil — queda em dezembro e janeiro, pico entre agosto e novembro — estava registrado no contexto de trabalho como se fosse fato. Os dados da Shiva não confirmam.

Índice mensal de faturamento próprio, por ano

Base 100 = média do próprio ano. Se houvesse sazonalidade, as duas linhas teriam a mesma forma

O que fazer com isso: não construir o plano de 2027 sobre índices sazonais. Quando um mês vier muito acima da média, explicar pela carteira concreta — uma obra, uma licitação, um cliente grande — em vez de atribuir à estação. E revisitar quando houver um terceiro ano de histórico, que é o mínimo para separar sazonalidade de ruído.

Achado 3 · Mapa do atraso

Correção: Injetado é o maior bloco de atraso, não o menor

O que mudou desde a versão anterior deste relatório

A leitura anterior dizia que Injetado não tinha um real de atraso e que o problema era exclusivamente de Moldados. Isso era artefato de uma extração filtrada por família, que simplesmente não trazia as linhas de Injetado.

Carteira em aberto por família, nos dois critérios de prazo. A coluna à direita aplica o mínimo de 23 dias úteis de Moldados; sem ele, a família aparece muito pior do que é.
FamíliaEm abertoVencido
data do M8
Vencido
com prazo
% do faturamentoLeitura
A regra que continua valendo

Aparecer pouco na carteira não significa estar bem atendido. Em item de estoque, quando falta, o cliente não gera pedido em aberto — ele deixa de comprar. A ruptura em MTS não aparece na carteira; aparece como venda perdida, invisível. É por isso que o Achado 1 e o Achado 3 medem coisas diferentes: a carteira mede o desempenho do que é feito sob pedido, e a cobertura mede o que é feito para estoque. Um item pode estar ótimo num e péssimo no outro.

Duas curvas de Pareto: faturamento e atraso

Quanto mais rápido a curva sobe, mais concentrado o fenômeno

Faturamento próprio Valor em atraso

Quem está esperando

Achado 4 · Política de estoque

Nove em cada dez itens da classe A aceitam previsão estatística

Cruzando regularidade da demanda com tendência, a classe A se divide em três grupos que pedem tratamentos diferentes. Não é classificação acadêmica: define qual item pode ser reposto por fórmula e qual precisa de conversa com o comercial.

PerfilSKUsFaturamento 24m CV médioPolítica recomendada

Cuidado de leitura nos itens em queda

Em MTS, item sem estoque não vende. Uma tendência negativa acompanhada de cobertura baixa pode ser consequência da falta, não a sua causa. Antes de rebaixar a política de um item nessas condições, verifique se a queda começou antes ou depois de o estoque secar.

O mesmo vale do lado comercial: o painel Comercial mostra 151 clientes que compraram menos no último trimestre, somando R$ 5,29 mi. Antes de tratar isso como problema de venda, vale cruzar com esta lista — parte da queda pode ser falta de produto, não falta de esforço.

Método

Premissas, limitações e ruídos encontrados

Para que ninguém use estes números sem saber o que há por trás deles:

Consolidação de SKUs — feita antes de tudo

O cadastro do M8 traz o mesmo produto lançado como vários códigos, diferindo apenas pela embalagem. O caso maior é a linha Tambasa: 231509 CAP ESGOTO 100 MM C/ 10 UND é o mesmo Cap Esgoto 100 MM, em pacote de dez.

O teste de preço médio confirmou a regra: onde há C/N na descrição, a quantidade está em pacotes — o TE Esgoto 50 MM C/10 tem preço 10,01× o do item base. São 36 códigos tratados: 22 consolidados no item base e 14 sem par, mantidos com a quantidade corrigida.

Sem esse passo o mesmo produto aparece partido: a demanda de cada pedaço parece menor e mais irregular do que é, e o estoque do item base não se associa ao consumo dos pedaços — o que gera falsos zeros. Foi o que aconteceu na primeira leitura: os onze itens com estoque zero eram, na verdade, um.

Próximo passo

O que fazer nas próximas duas semanas

    Com o lead time levantado e as máquinas cadastradas, a fase 2 converte este diagnóstico em plano de produção com capacidade finita — que é onde o S&OP começa a decidir, e não apenas a medir.